2013 · Vida louca/Vida breve

Pela graça de poder me descabelar

 

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Nós, seres humanos em geral, temos uma tendência incrível de reclamar de tudo que acontece. Quando ficava a maior parte do dia sozinha em casa, era responsável por limpar e arrumar as coisas. Quase todos os dias eu fazia sem vontade, em outros raros momentos eu pegava água, sabão, vassoura e fazia mais do que minha mãe pedia, simplesmente por querer fazê-lo. Em um desses dias, minha mãe reclamou de uma chave que eu deixei do lado de fora da porta e não falou nada do meu esforço de deixar tudo em ordem na casa. Achei injusto, mas, tudo bem, continuei a vida e não sou traumatizada por isso. Umas (raras vezes) repeti a dose de vontade voluntária de fazer faxina.

Há duas semanas, estava com um grupo de amigos, e um deles começou a falar um monte sobre os trens. OK, eles nos deixam na mão com uma certa frequência; e aquela voz que repete “Estamos aguardando a movimentação do trem à frente” irrita. Mas fiquei impressionada com o jeito que ele falava. Era uma raiva da CPTM que se fosse sobre uma pessoa, eu teria medo do meu amigo por ela. Então eu pensei: Mas de que adianta tanta raiva de uma coisa que você não tem controle? Qual é o sentido de reclamar de algo pequeno e acabar ignorando coisas boas que estão bem na sua frente?

Não posso falar que eu sou feliz o tempo todo, que eu não fico inconformada de vez em quando, mas tem coisas que simplesmente não valem a pena. Eu poderia reclamar MUITO do trem, reclamar de morar longe do trabalho e da faculdade, de ter nascido com o cabelo liso, mas de ele ter enrolado com o tempo, de ser considerada alta para usar salto, de ter milhões de trabalhos para fazer, de o dia ter apenas 24 horas, de não ter conseguido ver um eclipse do sol e de provavelmente não poder ver uma aurora boreal em toda a minha vida. Mas, sejamos sensatos, vale a pena?

Bem, eu prefiro agradecer por existir música e fone de ouvido enquanto espero o trem. Agradecer por morar nas redondezas a ponto de conseguir, ainda que com esforço, trabalhar e estudar em São Paulo (cidade que eu amo demais *-*). Prefiro sorrir, por sim, existir a chapinha e, até mesmo, por ficar alguns dias ligeiramente descabelada (É sexy! rs). Prefiro não me acuar e colocar todos os sapatos de salto que eu tiver vontade. Prefiro agarrar a oportunidade de aprender com os trabalhos e agradecer por conseguir dormir tranquila por, pelos menos, seis horas diárias. Agora, em relação ao eclipse e a aurora boreal, não tenho bem o que retrucar, mas acho que prefiro ser grata por ter anos de vida, momentos e alegria pela frente e por ter a imensa felicidade de olhar para cima e poder ver as estrelas no céu a brilhar.

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