2013 · 2014 · Medos e incertezas · Primeiras vezes

Aos poucos, a gente supera.

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Vista de uma das praias em nossa quarta e última parada. Foto: Bruna Santos

Primeiramente, temos que saber a diferença entre incerteza e medo. Pois bem, a incerteza é quando nos vemos em uma situação em que não sabemos se a “coisa” vai dar certo ou não. É um pensamento de dúvida que gira em torno do acontecimento até que ele se concretize. Já o medo, é certeza de que a “coisa” vai sim dar errado em algum momento, só não se sabe qual.

Com o medo rodando a cabeça, fica difícil aceitar a situação em que se está metido e os acontecimentos que estão por vir. Como o meu medo vem junto com um trauma, os depoimentos de algumas pessoas, que só acabaram por confirmar minha tese, fez com que eu pensasse que se houvesse alguma coisa que eu pudesse fazer para impedir meu sofrimento, é claro que o faria.

O meu medo/trauma começou há muito tempo, mas minha batalha contra ele foi travada um pouco antes do término de 2013. Em meados do dia 30 de dezembro, estava em uma viagem com a família em Paraty – Rio de Janeiro para um passeio de escuna (pausa para explicar que meu medo não era de andar de escuna ou de barco, mas sim de passar mal nele, o que resultava em medo de andar de barco ou escuna por suas implicações).

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Ilha que fizemos nossa terceira parada. Foto: Bruna Santos

Devo admitir que estava morrendo de medo. Desde quando minha mãe engravidou do meu irmão em 2004, ela passou muito mal e foi aí que a minha relação com vômitos só conseguiu piorar. Não adianta me falarem que depois de um dia inteiro passando mal, elas só se sentiram melhor depois colocar tudo para fora. Não adianta falar que não é nada demais. Não adianta! Acho que tenho ir a um psicólogo, porque sinceramente não consigo lidar com isso sozinha.

Voltando ao acontecimento de dezembro de 2013, eu estava prestes a entrar na escuna, por conta do número de pessoas dizendo que ia ficar tudo bem e, claro, pela vergonha de ser a única medrosa da turma e de, além disso, ver todas as crianças felizes rumo ao passeio (incluindo meu irmão), enquanto eu olhava do lado de fora tentando criar coragem.

Para as crianças é fácil não ter medo de nada. Elas nunca ouviram pessoas dizendo que passaram muito mal em um passeio de barco, ou que pular de uma ponte pode matar (por isso, não deixe seus filhos, irmãos e todas as crianças que conhece, ou as que não conhece também, chegarem perto de uma ponte. Repito: é perigoso!).

A questão é: eu nunca havia andado de escuna. Isso deveria ser igual a: eu vou porque não sei como é e a experiência poderia ser muito legal. Mas a verdade é que eu só conseguia pensar em: Isso não vai dar certo.

No final, eu acabei entrando e “me aventurando” pelas quatro horas em cima da escuna e também no mar durante as paradas. O resultado disso tudo foi: não passei mal e superei o meu medo. Não o meu medo de vômitos (isso eu ainda tenho que tratar), mas superei o meu medo de andar de escuna e a implicação que eu imaginava que traria.

A minha última lição de 2013 e a primeira de 2014, foi que não devemos sofrer antecipadamente e deixar que os medos baseados em nada senão os depoimentos de outras pessoas, que nesse caso pode ter tido muitas variáveis, nos impeça de ter as nossas próprias experiências.

Agora, quando alguém me chamar para um passeio de escuna ou de barco, eu posso até ficar com certa incerteza, mas meu medo é coisa deixada para trás, lá pelas águas do Rio de Janeiro. Medo esse que resolveu dar um mergulho no mar e nunca mais voltou.

PS: Esse texto foi ideia da minha tia, que durante meu pânico marítimo me disse que queria ler sobre isso no blog.

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Paraty – Rio de Janeiro. Foto: Bruna Santos
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