Esquecida · Velha e louca

Perdi minha memória

 

telefone

Nós perdemos a habilidade de memorizar. Não sabemos mais quando é o aniversário daquela amiga que não vemos há um tempo e também não sabemos de memória nem 50% da nossa agenda de contatos. Na verdade, acho que não sabemos nem 90% dela. Pelo menos eu sou assim, mas não era até pouco tempo.

Tenho 19 anos, nasci em 1994 e, portanto, não nasci mexendo em notebooks e Smartphones, mas a tecnologia já chegava até mim. Do computador com monitor de tudo, VHS, disquete e agendas telefônicas, as coisas foram evoluindo, até que chegaram ao que são hoje. Para os ainda mais novos que eu (aqueles que já estão nascendo com o celular em mãos), tudo isso parece um pouco, senão totalmente, inútil, já que a tecnologia chega para facilitar novas vidas e chega rápido, com muita pressa de inovar. Porém, nem tudo é coisa do passado ou não deveria ser.

As agendas de telefone andam sendo subestimadas, deixadas de lado. Se não foram jogadas fora estão nas estantes completamente desatualizadas, com números de empresas que ninguém da família trabalha mais, da casa da amiga que se mudou há cinco anos para outro lugar, entre outros casos de desatualização.

O problema disso tudo está um pouco camuflado. Por um lado, não precisamos carregar as agendas de um lado para o outro e o celular já faz a ligação na hora para gente, sem que precisemos ficar discando o número em algum telefone fixo. Mas esse hábito também fez com que nos esquecemos de lembrar. Não se trata só de lembrar os números dos familiares e amigos, mas também estamos deixando de exercitar nossa memória, porque isso é um jeito (muito bom, por sinal) de fazermos nosso cérebro funcionar. E ele está aqui para isso, ser usado.

Esses dias meu celular simplesmente parou de funcionar. Tive que comprar outro, mas enquanto o novo não chegava, passei dois dias indo para o trabalho e para a faculdade sem nenhum meio de comunicação. Me senti pelada. Não tinha como saber se as minhas amigas já estavam na faculdade ou como falar com os meus pais caso acontecesse alguma coisa. Durante esses dois dias, dei de cara com um ou dois orelhões pelas ruas de São Paulo e percebi que se eu tivesse que usar o orelhão só saberia de cor o número da minha casa, do celular da minha mãe e do meu pai. Sim, para casos de emergência saber esses já está ótimo, mas me assustou saber que de pelo menos 100 números, eu só lembro três.

Até 2006, eu sabia todos os números de todos os familiares e agora eu tenho que parar para pensar em qual é o número daquela tia que mora na mesma cidade que eu, criar possibilidades com números que depois de um tempo passam a fazer sentido.

Ainda essa semana eu precisei do meu celular para me lembrar o dia do aniversário de uma amiga, datas que eu geralmente esqueço e peço ajuda das redes sociais e do celular para não esquecer de parabenizar ninguém. O problema é que o celular era novo (ainda é) eu não tinha percebido como o calendário dele funcionava. Aconteceu o seguinte: na tela inicial apareceu o evento “Aniversário da Camila” e embaixo continuava “amanhã: o dia todo”. Só prestei atenção na primeira frase e fui correndo dar os parabéns à minha amiga. Depois de enviar a mensagem que eu fui notar as palavras embaixo. Me senti a pior amiga do mundo e decidi que depois desse “escorregão” vou colocar a cabeça para funcionar. Parece bobeira, mas brincar de lembrar datas e números ajuda a não esquecer mais nada (ou quase nada) nos próximos (muitos) anos.

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