2014 · Escrever · Estou sentimental demais

O que tinha que ser?

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(Reprodução: Tumblr)

Um pensamento me atormentou por um longo período de tempo até agora, em que vos escrevo. Até que ponto sabemos onde acaba “o que era para ser”, também conhecido como destino, e começa as atitudes tomadas por nós mesmos?

Costumo escutar muitas coisas do tipo “Ah, desencana (que aqui significa: deixa isto de lado), não era para ser”. Pronto, está feito o estrago na minha cabeça. Será que realmente não era para ser? Ou isso é só conversa de quem procura desesperadamente me consolar? Será que eu não fiz tudo que estava ao meu alcance? Ou era mesmo o destino me mandando um olá?

Enquanto escrevo este texto, uma mulher na minha frente no trem começa a chorar depois de ler uma mensagem no celular. Não faço a mínima ideia do aconteceu com ela, não tenho noção do por que ela chora enquanto os vagões seguem lentamente, mas não pude deixar de pensar: Será que o destino dela quis que fosse assim? Já estava “escrito” que ela deixasse lágrimas caírem na frente de pessoas desconhecidas como eu?

Outra coisa: Se o destino decide tudo o que acontece, será que ele recompensará essa mulher ou a todos nós no final? Porque isto também faz parte do discurso de consolação. “Você vai conseguir algo bem melhor depois, você vai ver!”

Depois de tanto pensar, me arrisco a responder a primeira pergunta. Sei que é um pouco clichê, mas é assim que a entendo. Creio que não há um ponto certo. Não há certeza. Há momentos. Momentos que poderiam, por coisas simples, terem sido diferentes. Não sei se acredito em destino, pelo menos não com essa concepção. Acho que toda essa culpa que jogamos em cima dele é equivocada, pelo simples fato de que nesses momentos queremos jogar a culpa em alguma coisa que não seja nós mesmos, assim como minha amiga fez para me consolar.

O destino, para mim, nada mais é que um conjunto das nossas ações, e também das pessoas com quem convivemos, que vão escrevendo o nosso futuro. O destino é incerto, é modulado e ás vezes é frágil. Claro que algumas coisas fogem do controle. Algumas, por mais que façamos de tudo para acontecer ou de tudo para evitar, simplesmente acontecem e não é nossa culpa e nem do destino. É algo que aconteceu e ponto. Não porque era para acontecer, nem porque “tinha que ser assim”.

Nunca teremos certeza se algo incrível vai acontecer depois do choro, mas já acho incrível poder continuar tentando, continuar vivendo. Assim a vida vai seguindo e indo, sem eu versus o destino. Somos dois. Somos dois em um.

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