Myself · Viver

Não aponte para mim


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E mesmo com tudo, eu acreditava. Acreditava em cada palavra. Estava tão condicionada a aceitar tudo o que me era dito, que eu nem relutava em discordar. Todos os dias, eu me olhava no espelho e não via nada além de defeitos. O número de marcas pelo corpo, a minha altura diferente da dos outros colegas, o quanto meu cabelo teimava em não me obedecer, meu olho pequeno e minha boca grande, minhas roupas, meu aparelho e tudo mais o que estava em mim. Tudo o que eu era e das quais, de muitas, ainda sou.

Eu só precisava de alguém. Alguém que visse o que sou além do que estava estampado. E pedia. Pedia em um grito silencioso. Um triste grito que ninguém era capaz de ouvir. Quem não passa por isso, não sabe a dor que é. Olhar-se no espelho e não enxergar o que se tem de bom. Foi preciso tanto tempo para perceber, mas enfim, percebi.

Depois de tantos olhares de repreensão, consegui encontrar meu caminho. Foi quando alguém disse que duvidava que eu iria conseguir. Quando depois daquelas palavras eu lutei para alcançar meu objetivo e, por meu mérito, só meu e de mais ninguém, que eu consegui, ficou claro para mim o quanto os outros estavam errados. Foi preciso eu acreditar pela primeira vez naquilo que sou e do sou capaz, que aprendi que eles não me conhecem e nunca me conheceram. E que aquilo tudo que foi dito não deveria ter sido processado na minha cabeça e muito menos, ter sido reproduzido por mim mesma.

Descobri que sim, eu, você, todos nós, somos bonitos exatamente por sermos quem somos. Que não é legal e que não é certo, apontar os defeitos dos outros com a desculpa que está sendo “sincero” ou para fazer você se sentir melhor. Para mim, as pessoas que apontam deixam claro que quem não se aceita são elas mesmas e, que era melhor, elas também começarem a acreditar mais, sem ter que rebaixar os outros.

Agora me olho no espelho e enxergo tudo o que sou. Não só defeitos. Não só as qualidades. Me vejo por inteiro. Porque a soma de tudo é igual ao que eu sou e ao que eu não deixaria de ser nem por um milhão de palavras jogadas e por todos os dedos a mim apontados.

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2 comentários em “Não aponte para mim

  1. Que lindo texto! Estava passeando por um blog e vi que vc comentou o quanto gostava de escrever, passei para dar uma olhada e a verdade é que seus textos são interessantes e gostosos de ler. Continue escrevendo! =)

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