Caixa de contos

Lucas e Juliana

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Lucas

 

Meu nome é Lucas e eu vou te falar uma coisa: Se apaixonar não é uma coisa fácil! Primeiro você conhece a pessoa – ás vezes sem nenhuma pretensão, ás vezes com todas as pretensões do mundo. Depois vocês conversam sobre todos os assuntos permitidos para uma primeira conversa. Para quem não sabe são aqueles tópicos sobre porque você foi para (insira aqui o lugar onde vocês estavam), as músicas que vocês gostam, o que fazem da vida, o que não fazem por dinheiro mas gostam de fazer… Enfim, todos esses papos.

E então vocês ficam sem saber se o outro quer ou não. Rola uma dúvida por um tempo pequeno, médio ou grande. Quando descobrem que os dois querem, rola o primeiro beijo e depois tudo acontece. Esse processo pode demorar para uns, pode ser mais rápido para outros. Mas claro que sempre acontece aqueles dramas no meio do caminho. Quando você percebe que está apaixonado(a), começa a tortura de se perguntar se deve ou não falar. Se é cedo demais ou se não é, se a pessoa vai falar de volta, se ela não falar o que você deve fazer, e por aí vai.

Mas e quando você já conhece a pessoa, é amiga dela há… Sei lá quanto tempo e se apaixona por ela? É mil vezes mais complicado, mil vezes mais drama, mil vezes mais tudo! E eu estou passando por isso.

O negócio é simples: Eu sou o tipo de pessoa que nunca vai pelo caminho mais fácil – que nesse caso seria me apaixonar por uma completa estranha. Tudo na minha vida é do jeito mais difícil. Eu nunca consigo arrumar a solução para algo de forma rápida, simples e fácil. Se eu quero escrever, acabo ficando duas horas para descobrir sobre o que falar. Eu sempre escolho as músicas cheias de dedilhados difíceis para aprender a tocar ao invés de tocar aquela batida fácil de uma música que eu também gosto de escutar.

O nome é Juliana. Somos amigos há dois anos e não vou mentir e falar que nunca tinha sentido nada. Depois de dois meses conversando, eu já sabia que ela era especial. Uma garota engraçada, inteligente, talentosa, que sempre corria atrás de seus objetivos. Já perdi as contas de quantas vezes disse a mim mesmo para ir atrás e falar para ela como eu me sentia, mas não quis de maneira alguma estragar a felicidade dela com o Rodrigo – um cara legal que ela estava saindo já tinha um tempo até que eles terminaram semana retrasada.

Ás vezes eu penso que se fosse com ela, ela certamente viria falar comigo sobre isso. Sobre qualquer sentimento a mais que ela poderia ter sobre mim. Mas então eu percebo que ela nunca veio.

Já perdi as contas de quantas vezes ela já me ligou dizendo sobre os dramas da casa dela. Sobre a mãe que vive gritando por qualquer motivo; sobre seu pai que quer ela fique debruçada em livros para passar no vestibular vinte quatro horas por dia; sobre seu irmão que acabou de engravidar uma menina de 17 anos e nem emprego ainda ele arrumou. Já passei horas no telefone escutando ela falar do Rodrigo sem poder dizer que eu jamais a faria sentir daquele jeito, que eu jamais a deixaria e que eu nunca deixei.

São dois anos de amizade e eu nunca achei certo estragar tudo por causa de algum sentimento idiota. Me sinto estúpido apor ficar pensando nisso tudo, me sinto estúpido por não falar para ela o que verdadeiramente importa e me sinto estúpido por não querer pensar. Será que as coisas não poderiam ser fáceis pelo menos uma vez na minha vida?

Se eu encontrar com ela hoje eu vou falar. Eu tenho que falar. Eu preciso falar que a amo.

Juliana

 

Se eu tivesse vontade e cabeça para estudar agora eu simplesmente pegaria as apostilas eu mesma e não as fecharia mais. Odeio ter que ficar seis horas sentada nessa mesa sem poder nem respirar que o meu pai já começa a reclamar. Já sei muito bem o que eu quero fazer, já estudei o bastante pela semana inteira, mas hoje eu não eu tenho cabeça para nada.

Não tenho cabeça para as mensagens do Rodrigo no meu celular. Não tenho cabeça para dizer pela décima terceira vez que eu nunca mais vou acreditar nele, não importa o que ele faça, não importa o que ele diga. E eu também estou cansada.

Estou cansada de fingir que está tudo bem, cansada de esconder o que eu realmente penso e sinto da pessoa que mais que precisa saber. Já faz uns dois meses que eu percebi o quanto eu sempre pude contar com o Lucas. Todos os dias que eu passei reclamando das coisas que acontecem na minha casa. Todas as vezes que eu tive dificuldade para estudar. Todas as vezes que eu reclamei do Rodrigo e de outros caras para ele. Ele sempre esteve lá. Sempre com um sorriso acolhedor no rosto, sem nunca me julgar por minhas escolhas e meu jeito impulsivo de ser.

O Lucas é um grande amigo. São dois anos de amizade e nos conhecemos em uma festa de aniversário de uma amiga minha. Ele estuda na mesma escola que eu, mas em outra sala, por isso não tínhamos nos conhecido antes. Ele é um cara realmente incrível! Apesar de ser péssimo com conselhos, ele é um ouvinte muito bom. Meu Deus, como eu pude não perceber tudo isso antes? Passei horas reclamando de todos os idiotas que passaram na minha vida e nunca me toquei que ele era o único que valia a pena e, ainda assim, era o único que eu nunca tinha prestado a atenção que ele merecia. Claro que eu prestava atenção nele, mas nunca tinha o visto como vejo agora.

Lembro do dia que faltamos em uma aula. Eu estava um pouco nervosa e ele disse que estava sem vontade de entrar e encarrar mais uma aula de filosofia da louca da Débora. Eu me diverti tanto, nunca fazer nada tinha sido tão divertido.

Eu preciso falar com ele. Preciso dizer o que está quase me levando a loucura. Deus, como eu não percebi antes? Eu amo ele. Sempre que eu precisava de algo era para ele que eu ligava, e ele sempre esteve lá por mim. Quando eu não queria nada, ele ficava ouvindo música sentado do meu lado. Ele sempre esteve aqui. Sempre. Deus, eu amo ele!

Será que ele já pensou a mesma coisa ou sou só eu que estou me sentindo assim? É melhor eu ligar para ele, pedir para gente se encontrar. Número ocupado. Vou na casa dele. Não dá nem quinze minutos da minha. Eu vou lá. Vou dizer que pode ser loucura minha, mas tem algo a mais na nossa relação do que somente amizade. E se isso estragar a nossa amizade? Droga, porque eu tenho que fazer as coisas do jeito mais difícil? Me apaixonar pelo meu melhor amigo? Qual é o seu problema Juliana? Ok. Foco. Eu vou lá.

(Quinze minutos depois)

A porta branca da casa dele se abriu e ele sorriu como se estivesse aliviado por me ver.

Lucas

 

A cabeça dela levantou levemente do chão e nossos olhos se encontram.

Juliana

Nós demos um passo à frente sem falar nada.

Lucas

E naquele momento eu percebi.

Juliana

Daqui em diante não seremos só amigos.

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4 comentários em “Lucas e Juliana

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