Caixa de contos · Comportamento

La vie en rose

Eu dançava e dançava no meio da sala de estar ao som de “La vie en rose”. Com meu pijama amassado vou junto com a música bagunçando ainda mais meu cabelo. Não me peça para explicar como eu estou dançando, só imagine a música e se deixe levar.

Eu vivo nos anos 60! Não literalmente, mas em minha cabeça sim. Tenho Audrey Hepburn como inspiração. Apesar de não compartilharmos o mesmo estilo visualmente, me encanto com seu jeito de ser e todos os seus filmes graciosos. Aqui em casa ela está em todos os lugares, no quadro na parede do quarto, nos Dvds que eu deixo a mostra na estante de livros, nos livros e até na máscara de dormir que mandei fazer igual a que ela usa em Bonequinha de Luxo.

Eu moro em um apartamento perto do Parque Ibirapuera no 6º andar. Divido ele com minha colega Amanda que faz faculdade de moda, tem as ideias mais espalhafatosas e é carinhosamente apelidada de ‘Crazy girl’. Doida ela é mesmo, mas acredito que a loucura é o que abre porta para a criatividade e nada melhor do que ter ideias inovadoras.

Eu gosto muito de coisas antigas pelo fato de sentir que tudo era mais genuíno, mas vivo bem no presente. Não escrevo em máquina de escrever e não faço ideia de como seria minha vida sem internet. Também não consigo mais andar sem celular e pensar em esperar um filme chegar nas locadoras. Vivo na modernidade e sei exatamente como ela funciona.

Minha vitrola continua tocando “La Foule” e eu me pego pensando em como é ótimo ficar sozinha em casa em uma sexta-feira. A sensação de que sou dona do meu tempo e que tenho tempo suficiente por hoje para fazer absolutamente nada, é libertador. Gosto de viver as coisas de uma forma mais leve apesar de ser paulistana e não ter vontade de morar em nenhum outro lugar.

Sou contraditória, eu sei. Quero pular de paraquedas, mas não gosto muito de altura. Gosto de saltos, mas não sou fã da ideia de deixar minhas sapatilhas. Sou romântica, mas adoro usar um total black e se for com camiseta de banda então, melhor ainda. Sou sonhadora, mas enrolo demais para ir dormir.

Meus 22 anos não me ajudaram muito a ter os dois pés completamente assentados no chão. Sempre estou com um no chão e outro flutuando. Sempre brincando de viver, mas sempre levando a vida um bocado a sério. Estou sempre com um pé em 2014 e outro em 1961.

Olho pela janela e contemplo a maravilha da cidade grande que transborda belezas do passado e de modernidade. Talvez eu esteja exatamente no lugar em que deveria estar. Talvez eu precise escrever na máquina de escrever de verdade. Talvez eu precise dançar um pouco mais.

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