Caixa de contos

Anna, Recife e o mar

Foto: Sachin Teng Illustration | Pinterest
Foto: Sachin Teng Illustration | Pinterest

Anna era ruiva do cabelo cacheado e andava pela rua quase que o dia todo com seu pequeno caderno de anotações e seu headphone de cor azul bebê na cabeça. O azul combinava com a cor de seus olhos e brincavam de ir contra as suas pequenas sardas que iam do nariz até as maças do rosto.

Moça de Pernambuco e sotaque arrastado, ela levava a vida na tranquilidade de quem está a passeio e a leveza de quem sabe bem como apreciar os pequenos momentos da vida. Com seu caderno em mãos, Anna anota todas as coisas que a chama atenção na cidade que brilha seus olhos. Recife é o amor que se concretiza em seu olhar azul da cor do mar.

As cores, a dança e o pôr do sol; os sorrisos nos rostos do povo que por ali passam. O caderno de Anna que balança conforme o movimento de passos. A caneta que capta cada pensamento. O sol que faz brilhar ainda mais seus cabelos vermelhos. Tudo proporciona a cena a aparência de começo de livro, de mulher que aproveita a vida e depois junta suas pequenas palavras em forma de prosa.

Anna sentou do meu lado no banco em frente a praia. Reparou em meu olhar curioso e mostrou uma pequena anotação em meio aos montes “Sentar no banco e apreciar o barulho do mar”.

  • Você não é de Recife é? – parei por alguns instantes tentando imaginar como tal pessoa sai tão livremente com a habilidade de encantar e adivinhar por onde previamente andei.

  • Não, sou de São Paulo. Ficarei aqui por mais três dias somente.

  • São Paulo, quero conhecer um dia. Ah, mas meu Recife! Isso eu te digo… – com um largo sorriso no rosto – isso eu não largo por nada.

Eu sorri encantada – por Recife e por ela. Beleza tão simples, tão natural e tão diferente de tudo que já havia visto. O mar limpo, as pessoas sorrindo, as casas coloridas e pôr do sol com o som de alguns pássaros a voar.

Anna e eu ficamos quietas. Ela se levantou após pular duas músicas em seu celular e apreciar a vista por alguns poucos minutos. Sorriu para mim, acenou para o mar como quem diz um até logo para um grande amigo e foi embora. Eu que ali continuei, peguei meu próprio caderno e caneta. Talvez Anna não fosse poetisa e nem estivesse buscando inspiração na cidade. Talvez o Recife seja cheio de Annas de todas as formas e todos os cabelos, mulheres de andar livre e atento as coisas simples. Talvez o Brasil seja todo cheio delas e eu que fui só me atentar por aqui. Só sei que Anna tomou o rumo dela e eu, sentada em frente ao barulho do mar, escrevi.

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