Caixa de contos · Comportamento

Castelo e nuvens de algodão doce

Foto: Lucy Evans
Foto: Lucy Evans

A imaginação de uma criança flui tão magicamente que seria uma maldade imensa tirar as esperanças, os sonhos e as belas coisas que elas acreditam. Coisas que infelizmente não são verdade, mas que muitos adultos adorariam que fossem.

Lembro-me de uma menina de aparência japonesa com os seus seis anos de idade que subia na laje de casa – quando isso ainda era possível – sentava alguns metros antes do beiral, bem pertinho da caixa d’água e imaginava como seria estar naquela bela paisagem montanhosa que estava a quilômetros na sua frente.

A sua casa ficava no meio do bairro – ao menos era assim que ela enxergava – e várias outras casas tomavam seus lugares do redor dela. Não que ela fosse o centro de tudo, pois não conhecia os rostos de todas as pessoas naquelas casas e tinha imensa curiosidade do que todas aquelas pessoas faziam sem que ela pudesse ver.

A menina sentava no chão da laje com as pernas entrelaças e olhava para sua frente onde se via montanhas cheias de árvores. Árvores que pareciam pequenas de longe, mas que ela já imaginava serem enormes e capazes de presenteá-la com uma sombra em meio ao dia ensolarado.

Bem ao fundo daquelas suntuosas montanhas verdes, havia uma outra montanha. Uma que, mesmo de longe, era majestosa. Era dessas que começa grande em largura na base e conforme a altura aumenta cada vez mais, a largura diminui até chegar aquele ponto pequeno e brilhante que pisca a cada um segundo, iluminando os olhos dela.

A paisagem era um lugar de sonhos para aquela menina. Era onde ela sonhou em ir por muito tempo e se imaginava, lá de cima, tocando as nuvens feitas de algodão doce – fofo e comestível, é claro! Era naquela montanha que brilha que ela enxergava o castelo da Cinderela. Aquele que aparece sempre no começo de cada filme da Disney. Era lá que ela enxergava pessoas indo e vindo com seus aviões de pequeno porte, asa deltas e imaginava a diversão tamanha que devia ser voar.

A jovem menina cresceu e a laje deu lugar a um teclado, cujo beiral é pequeno e perigoso demais para ela se arriscar. Hoje a menina, virou mulher e, com seus olhos levemente puxados, enxerga as montanhas e o Pico do Jaraguá ao fundo – longe de ser um castelo, mas tão incrível quanto.

Hoje a mulher olha pela janela e vê na paisagem a doçura de uma criança que se vê tocando as nuvens no topo de uma montanha. Ela olha a paisagem e se sente grata por ter crescido com belas imaginações. Hoje, a mulher olha a paisagem e, toda vez, volta a ser uma menina de novo.

 

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