Comportamento · Estou sentimental demais

“Apaixone-se por todas as coisas que puder”

Ilustração: Pinterest

Lembro-me de desde pequena ser uma boba apaixonada. Sempre tive a mania de gostar das coisas de uma forma especial – e isso deve ser porque tive uma infância especial. Especial, porque aprendi a crescer imaginando coisas, preenchendo as lacunas que o mundo deixou ao ser criado e mesmo depois de ser reinventado. Eu criava meu próprio mundo com criaturas, com pessoas maravilhosas, com as cores que eu mais amava, com tudo que me fazia feliz.

Ao ir crescendo, o mundo criado e reinventado por nós acaba desmoronando um pouco. Mas, eu, como bela sonhadora que sou, continuei acreditando nas coisas mais lindas que já conheci e carregando o frescor que elas davam à vida para todos os lados.

Amei fervorosamente bandas e artistas, chorei por muitas (por felicidade e por tristeza). Por algumas delas fui à loucura e fiz de tudo que se possa imaginar. Todas as loucuras possíveis eu fiz, se não fiz algo foi porque meus pais (sábias pessoas) não me deixaram continuar. Amei, amei, amei, gostei muito, até que o tempo passou e tudo virou admiração e boas lembranças. Muitas delas que adoraria reviver.

Amei (e amo) muitas revistas. Algumas edições específicas que guardo com todo carinho e títulos que compro sempre que posso. O guarda-roupa não comporta mais tantas revistas que juntei ao longo dos anos e, pouco a pouco, eu tento me desapegar de algumas enquanto novas chegam para ficar um tempinho comigo.

Amo personagens fictícios! Os de séries e filmes, e os de livros que me fazem torcer a cada página por eles. Esses que me fazem querer ler todas as páginas o mais rápido possível, que me deixam triste quando vejo que não tenho mais nada com eles para ler e aqueles que me fazem comprar trilogias – e cheirá-las, é claro! (Cheiro de livro é o melhor remédio <3)

Ilustração: Pinterest

Também tenho o costume de me apaixonar por autores, por músicas, por itens de decoração, por casacos de inverno, por porta-retratos, por fotos que estão neles, por dvds e cds, por aulas de idioma, por escrever, por jornalismo, por pessoas dançando felizes, por paisagens, por pôr do sol, por comida (Alô, donuts de Oreo!), por imagens do Pinterest, por todas as falas de Funny Face com a Audrey Hepburn, por filhotes de cachorro, por chocolate, sorvete e paçoquinha, pelo meu país, pela sua bandeira, pelas bandeiras de outros lugares, por praia, sol e areia, por cabelos ao vento, por pessoas andando de bicicleta, por pessoas certas e por pessoas erradas.

Sim, sonhadora que sou e amante das mais infinitas coisas – a pessoa que quer fazer os olhos brilharem com cada milésimo de segundo da vida – acabo caindo na armadilha que é a vida de trocar os pés pela cabeça e me apaixonar pelos olhos dos homens errados. Encontro-me no começo, fico fora do chão no meio e me perco no final, principalmente finais repentinos que acabam sem aviso prévio. É aquele breve momento de entrar na sala por dois segundos, dizer “Eu me demito” e nunca mais voltar.

E eu esqueço tudo que amo. Todas as outras coisas. Me recluso e o mundo imaginário da criança que fui desmorona um pouco mais, a cada decepção, a cada “não era para ser” entalado na garganta. Fico eu, o fone de ouvido e o travesseiro. Conto todos os meus segredos e admito que tenho medo de deixar a menina sonhadora dentro de mim morrer. Tal pensamento me causa repulsa, medo e angústia.

Lembro das coisas que fiz ao longo da vida, vou até o guarda-roupa e tiro todas as roupas até encontrar a edição específica da revista que amo. Chego à conclusão que amamos muitas coisas na nossa vida e que talvez nenhuma delas seja errada, mas sim, aprendizados que teríamos que passar. Eram amores dos quais precisávamos nos desapegar, assim como eu aprendi a desapegar de algumas revistas. Desapegamos de alguma coisa para que novas e belas coisas cheguem para fazer raiar nossos dias. Coisas que têm a ver com quem somos hoje e com quem seremos amanhã.

E assim eu vou: relendo textos e escrevendo novos. Desabafando em palavras enquanto devoro um pacote de Oreo. Colocando músicas do meu tempo de fã, olhando para porta-retratos felizes na cabeceira da cama e voltando a sorrir aliviada. Sorrio com o coração ainda que um pouco machucado. Sorrio para que cure, para que alguém cure, para que eu me cure sozinha, para que todas as coisas que amo me curem. E, claro, cheiro páginas de livros, porque esse é – e tenho dito – o melhor remédio!

 

 

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