Amor · Caixa de contos · Crônicas

Na pequenez de um abraço

Nos beijamos sob a luz do luar e eu soube naquele instante que era ali que eu gostaria de ficar. Apoiada entre seu peito e pescoço,  sentindo a essência do seu cheiro ainda que sem uma só gota de perfume. Naquele meio por onde eu aprendi a passear com a boca, enquanto você me abraçava e me protegia do fim de tarde que só esfriava no centro da cidade.

Foi matando a sede entre notas de músicas e goles cansados de água que trocamos a nossa história como quem tem todo o tempo para conversar, todos os assuntos para tratar, mas sem pressa nenhuma de acabar. Ali, entre seus olhos e os meus levemente levantados, na imensidão de uma cidade grande e na pequenez de um abraço, que desejei todos os relógios sem pilha, com os ponteiros parados apontando seis horas da tarde e uma brisa ainda mais gelada para esquentar-me em você.

Foi no meio da selva de concreto e em uma tímida Nova York que me acolhi e me escondi no preto de seu casaco. Enquanto a noite cantarolava às estrelas,  nós cantarolávamos juntos sem querer soar bem, só querendo soar a nós mesmos.

E foi ali, com o foco em seu sorriso e os seus beijos carinhosos em minha testa que desejei por mais um dia, por mais um olhar teu e por mais um instante em que ocupávamos – quase- o mesmo espaço.

Foi ali, na grandeza da cidade e na pequenez de um abraço,  que eu desejei contigo estar.

 

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