Amor · Caixa de contos · Música e Literatura

Explodimos e existimos

3b55017cffd2c05d12935cba77327977E eu deitada em casa, com o banho tomado, cabelo molhado e pronta para deixar o sábado me levar a lugar nenhum. Seria eu, sozinha, e o sono da madrugada tampando meus olhos para todas as luzes do lado de fora que viriam passar.

Escuto Evanescence tocando ao fundo, é meu celular na gaveta da estante e com isso eu me estico para pegar.

 

  • Alô!

  • Posso entrar?

O número é desconhecido, mas eu conheço bem o tom daquela voz. É o Miguel com sua voz suave e com o seu jeito desafiador. Ele estava do lado de fora da minha casa, já na calçada, tendo saído de seu carro.

Saí com meu pijama e abri o portão. Ele não falou nada enquanto entrava em casa e nem precisava, nós temos história. Daquelas que são intermináveis e mesmo com o término que bateu à nossa porta há três anos, não conseguimos ficar longe um do outro por muito tempo. Eu termino e volto para ele. Ele faz o mesmo.

Não sei de onde ele vem hoje e nem quero saber. Fazia um mês que não nos falávamos sobre qualquer coisa. A última vez que nos vimos foi em uma balada daquelas bem sem graças e a gente se encontrou no corredor que dava para a próxima pista de dança. Nos encontramos e ali ficamos.

Hoje ele estava aqui, de novo, da mesma forma que ele havia aparecido seis meses atrás e da mesma forma que eu tinha aparecido na casa dele dois meses antes disso.

Ao bater da porta ele pegou meu rosto com as duas mãos me encaminhou para a parede e começou a beijar meu pescoço. E ele podia fazer tudo. E eu tudo fazia com ele, sem limites e sem perder o foco.

Seu suor, sua pele, seu jeito de passar a mão por meu corpo. Tem alguma coisa nele que eu não consigo me desvencilhar. Tem algo nele que me enlouquece toda vez que minha pele o toca. Toda vez que nossas bocas dançam juntas. Toda vez que minha boca dança sozinha pelo seu corpo.

E eu faço tudo e sinto tudo como se fosse a nossa primeira vez. Sempre é. E é a melhor primeira vez a cada dia.

Dizem que o perigo mora ao lado, mas nós somos o perigo um do outro. Somos duas bombas prestes a explodir. E explodimos. E continuamos existindo.

Deitamos em minha cama e ficamos nós, sozinhos, e sono da madrugada que já não existia mais. Ao amanhecer, ele saí novamente e, assim, continuamos à espera do próximo dia em que voltaremos a explodir – e existir.

*texto inspirado na música “Dangerous Woman” da Ariana Grande. 

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