Amor

Ficou o gosto

Não tinha gosto de cereja, nem chantili, nem framboesa. Era o gosto amargo de um café expresso sem açúcar descendo quente como um rasgo pela garganta. E ele ficou grudado. Impregnado em meu ser.

Grudou na vontade que um dia senti de ser alguém. Grudou na vontade de um dia pertencer e ser de alguém.

O gosto ficou em minha língua como a pimenta que esquenta mesmo depois de um litro gelado de água pela minha boca passar. Ficou o gosto que não é seu, o gosto que não é meu, o gosto que não havia sentido de maneira alguma em sua forma de beijar.

O que era doce ficou amargo e, então, azedo. Era o que a sua falta deixava causar. O que era carinho, virou afago solitário de uma cama vazia e de um único lençol para me esquentar.

Ficou o gosto da saudade, tamanho desastre, que em minha boca teima ficar. Ficaram os dias que não foram contados e minh’ alma  cética que hoje não quer mais te amar.

Ficou o gosto. Assim como o sal do mar e a areia da praia, em mim, insistiram em grudar.

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